IA generativa, computação espacial e dados: convergência causará explosão de criatividade

Durante bate-papo com a Inovativos, o chief AI officer da MakeOne, Harold Schultz Neto, afirmou que a IA generativa, em convergência com a computação espacial e com dados em alta frequência, causará uma explosão de criatividade na nossa história, no relacionamento dos clientes com as marcas e no CX de forma geral

Em 2024, o grande desafio das companhias será trabalhar muito mais sua organização e infraestrutura de dados, o que permitirá cada vez mais o uso de aplicações de IA generativa dentro das empresas. Essa é a opinião de Harold Schultz Neto, chief AI officer da MakeOne.

Durante bate-papo com a Inovativos, Harold afirmou que a IA generativa, em convergência com a computação espacial – impulsionada pelo lançamento do Apple Vision Pro – e com dados em alta frequência, causará uma explosão de criatividade na nossa história, no relacionamento dos clientes com as marcas e no CX de forma geral. “É um nível de imersão entre marca e consumidor que a gente nunca viu antes”, destacou.

Chief AI Officer

No início da conversa, o executivo comentou sobre o seu cargo na MakeOne, o de Chief AI Officer, que começa a ganhar espaço em algumas organizações, ainda que de forma tímida. “Cargos de IA já existem há algum tempo nas empresas que têm um grau de maturidade digital maior. Normalmente, gerentes de dados cuidavam das aplicações de IA. Agora, com a IA generativa e a visão computacional chegando cada vez com mais força, está havendo uma separação entre as áreas de dados e de IA, que vai cuidar mais do desenvolvimento de soluções internas para o uso da tecnologia”, explicou.

“Temos players relevantes no mercado que já merecem cargos como esse, já que possuem grau de maturidade digital e de dados bem avançado, sobretudo as empresas nativas digitais. No caso da MakeOne, isso fez todo sentido”, completou.

AI Thinking

No ano passado, segundo Harold, muitas empresas tentaram criar suas versões do ChatGPT com o objetivo de garantir uma maior proteção de dados, além de outras soluções com base em IA. “Qualquer empresa pode contratar o ChatGPT. No entanto, isso não é um diferencial de mercado. Para se diferenciar, é preciso capacitar seus profissionais para pensarem com IA, o chamado AI Thinking”.

Outro conceito importante em 2023 foi o do Digital First, que propõe uma abordagem centrada no ambiente digital para o desenvolvimento de negócios. “Observamos um salto de empresas que passaram a valer mais de US$ 1 trilhão. Isso aconteceu porque vivemos em um mundo Digital First, onde os computadores evoluem numa frequência muito rápida”, ressaltou. “Isso pode ser visto com as placas de vídeo, por exemplo, que evoluem de forma mais rápida que a Lei de Moore. Como a IA roda em cima de placas de vídeo, significa que a IA vai crescer em um ritmo muito mais exponencial do que a gente estava prevendo”.

Small Models

De acordo com Harold, modelos de linguagem menores (Small Models) estão emergindo como ferramentas potentes em diversas aplicações de IA – oferecendo alternativas mais eficientes e versáteis em determinados cenários – e desafiando a noção de que grandes modelos de linguagem (LLMs) como o GPT-4 são sempre melhores e mais adequados para as empresas.

“Pesquisas da Microsoft e do MIT, por exemplo, conseguiram melhores resultados com small models nas aplicações que eles criaram. Essa tendência de modelos menores tem a ver com a especialização da IA, que fará com que a gente extraia mais valor dela. Cada vez mais construiremos IAs que são focadas em determinadas áreas”, apontou Harold.

Desafios

Quanto aos desafios futuros, o executivo da MakeOne acredita que o primeiro deles é o do upskilling, que refere-se ao aprimoramento e desenvolvimento de habilidades de um profissional em sua área de atuação. Não envolve uma mudança significativa na direção da carreira, mas sim um aperfeiçoamento das habilidades existentes para atuar de maneira mais eficaz em sua posição atual e construir uma carreira mais sólida. 

“Neste caso, trata-se do desafio de as pessoas pensarem com a IA, aprenderem a usá-la e, principalmente, aprenderem a criar soluções em cima da tecnologia. Muito associado a esse ponto, está a superação do medo da inovação por parte das empresas. Esse é um tema bem forte nas organizações. É preciso entender que não existe falha. Existe, sim, o aprendizado, as lições aprendidas de determinado experimento construído. Aí a gente vai para o próximo experimento com mais inteligência, gerando um ciclo de inovação valioso”, concluiu.

Confira o bate-papo na íntegra com Harold Schultz Neto, chief AI officer da MakeOne, também nos formatos de Vídeo e Podcast:

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