Entregas com drones enfrentam desafios para revolucionar a logística do delivery e transformar o CX

A modalidade, mais do que prometer uma disrupção no delivery tradicional, pode transformar a experiência do cliente, já que impacta no tempo e na forma como as encomendas são recebidas

Ao encomendar determinado produto, o consumidor pode recebê-lo de diversas formas. As mais usuais são via Correios, empresas de delivery ou entregadores de aplicativos. No entanto, uma nova modalidade aos poucos está ganhando força em muitas partes do mundo: a entrega por meio de drones.

A iniciativa, mais do que prometer uma disrupção no delivery tradicional, pode transformar a experiência do cliente, já que as entregas por drones impactam no tempo e na forma como as encomendas são recebidas pelo consumidor. No entanto, para que a modalidade cresça e se consolide, há muitos desafios a serem percorridos.

Características da entrega por drones

A entrega por drones aos poucos está crescendo e ganhando mais relevância em algumas partes do mundo – principalmente nos Estados Unidos – devido à sua eficiência, velocidade e potencial para alcançar áreas de difícil acesso. A eficácia da modalidade depende de alguns fatores, como regulamentações locais, tecnologia de drones disponível, infraestrutura de comunicação e navegação, além de capacidades de automação. 

Entre esses fatores, a tecnologia e as regulamentações locais são decisivas para a eficiência da operação, já que à medida que a tecnologia avança e as regulamentações evoluem, o processo de entrega por drones se aprimora e se adapta para atender melhor às necessidades das empresas e consumidores.

Atualmente, as entregas por drones levam em conta o tamanho, peso e características dos produtos. Podem ser entregues, por exemplo, pacotes pequenos e leves – como itens de varejo -, comida e bebida, além de suprimentos médicos. Em média, os drones mais simples para delivery chegam a custar entre US$ 1 mil e US$ 10 mil.

Empresas que apostam na modalidade

Grandes companhias dos mais variados ramos de atividade, como Amazon, Walmart e iFood, entre outras, já estão apostando na entrega de mercadorias via drones.

A Amazon iniciou suas entregas em 2022, na Califórnia, e apesar de ainda restrito a poucas localidades nos Estados Unidos, como no Texas, a empresa está ampliando a modalidade de entrega para outros lugares, incluindo mais cidades norte-americanas, Itália e Reino Unido. Os drones conseguem fazer entregas em pacotes que não ultrapassam o tamanho de uma caixa de sapatos, e um pouco mais de 2 quilos de peso, em até uma hora entre o tempo da compra e o momento da entrega. A meta da companhia é poder entregar 500 milhões de pacotes com drones por ano até 2029.

O Walmart, por sua vez, planeja disponibilizar entregas de mercadorias via drones para os moradores de Dallas, nos Estados Unidos, ainda em 2024. O serviço será realizado através de uma parceria com a Wing, de propriedade da Alphabet. Atualmente a companhia já oferece entregas por drones de forma limitada na cidade e, com os planos de expansão, os serviços ficarão disponíveis para cerca de 75% da população da região, ou 1,8 milhão de casas.

No Brasil, o iFood foi oficialmente a primeira empresa a realizar entregas por drones, em 2020, quando a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) autorizou o serviço realizado através de parceria com a Speedbird, uma empresa nacional fabricante de aeronaves e drones. Na ocasião, os drones podiam realizar entregas com cargas de até 2,5 quilos em um raio de 3 km, inclusive em ambientes urbanos, mantendo margens de segurança como não sobrevoar pessoas, manter distância de possíveis fontes de interferência eletromagnética, observar alturas máximas e mínimas de operação e as condições meteorológicas.

Após dois anos de operação em fase de testes na cidade de Campinas, o projeto foi “descontinuado” em 2021. Atualmente, a empresa realiza entregas diárias por meio de drones em Aracaju, no Sergipe. Neste caso, os trabalhos começaram em dezembro de 2021 e a operação inclui entregas intermunicipais.

Desafios das entregas com drones

A entrega de mercadorias com drones é um assunto que gera muitas controvérsias e enfrenta desafios operacionais, logísticos, de segurança, climáticos, regulatórios, entre outros. Confira alguns dos principais desafios:

Regulamentação e Legislação: necessidade de regulamentação clara e legislação específica para operações de drones em ambientes urbanos, garantindo a segurança das pessoas, a privacidade e o cumprimento de normas aéreas.

Controle do Espaço Aéreo: gerenciar o espaço aéreo em uma metrópole densamente povoada é complexo, especialmente para evitar conflitos com aeronaves tripuladas, pássaros e outros drones. É necessário um sistema eficiente de controle de tráfego aéreo para prevenir acidentes.

Segurança e Confiança Pública: preocupações sobre a segurança dos drones e a confiança do público na entrega por esse meio, incluindo questões relacionadas a acidentes, roubo de drones e potenciais riscos à segurança.

Logística Urbana: adaptar a logística para operar em ambientes urbanos, considerando fatores como prédios altos, condições meteorológicas adversas, e a necessidade de locais seguros e adequados para decolagem e pouso.

Integração com a Infraestrutura Urbana: garantir que os drones possam integrar-se eficientemente com a infraestrutura urbana, incluindo pontos de entrega seguros, carregamento de baterias, e sistemas de comunicação robustos.

Eficiência Energética: desenvolver drones com eficiência energética suficiente para cobrir distâncias em áreas urbanas e realizar múltiplas entregas antes de precisar recarregar.

Aceitação Social: conquistar a aceitação social é crucial. Algumas pessoas podem ter preocupações com a privacidade, ruídos, ou simplesmente se sentir desconfortáveis com a presença frequente de drones na paisagem urbana.

Clima e Condições Meteorológicas: Adaptar os drones para operar em uma variedade de condições meteorológicas, incluindo chuva, vento e outras adversidades comuns em ambientes urbanos.

O que diz a lei brasileira sobre drones

Para usar drones no Brasil, é preciso seguir regras estabelecidas por três órgãos públicos:

ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações): Os drones precisam ser homologados pela ANATEL para operar em frequências compatíveis com a regulamentação brasileira. Isso ajuda a evitar interferências em serviços como o Controle de Tráfego Aéreo e redes de comunicação móvel.

DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo): O DECEA gerencia o espaço aéreo e controla o tráfego aéreo. Pilotos de drones precisam se registrar no DECEA após obterem registro na ANAC. Isso permite agendar e solicitar voos previamente no sistema SARPAS para um controle eficaz do tráfego aéreo.

ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil): A ANAC regula e fiscaliza a aviação civil no país. Drones acima de 250g devem ser cadastrados no SISANT, tanto para uso recreativo quanto profissional, conforme a RBAC nº 94/2017. O cadastro evita apreensões, multas e processos legais.

Os drones são classificados como aeronaves remotamente pilotadas (RPA) e estão divididos em três classes, de acordo com o peso máximo de decolagem, no qual deve ser considerado os pesos da bateria ou combustível do equipamento e de carga eventualmente transportada.

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