Qual será o papel da IA generativa para a cibersegurança?

Diversas soluções utilizam a IA generativa para identificar comportamentos maliciosos e detectar ataques cibernéticos

Nos últimos anos, o crescente uso da Inteligência Artificial (IA) está desempenhando um papel fundamental nos negócios como um todo. Não é à toa que a tecnologia é uma das principais prioridades para 85% das empresas, segundo pesquisa recente feita pela Bain & Company. De acordo com o levantamento, os colaboradores aumentam a produtividade em até 50% ao acessar os algoritmos de Large Language Models (LLMs), como o ChatGPT, da OpenAI, por exemplo.

Mas não é somente pela produtividade que a IA chama a atenção. Detecção de ameaças e incremento da segurança cibernética (44%) é uma das razões críticas pelas quais as organizações vêm adotando o modelo, segundo a mesma pesquisa. O fato é que, apesar do boom recente, o uso da tecnologia na área de cibersegurança não é exatamente uma novidade.

“Em Segurança da Informação, tecnologias de IA são utilizadas há muitos anos. Existem diversas soluções que as usam para identificar comportamentos maliciosos”, explica Guilherme Kato, CTO do dr. consulta e líder do Comitê de Tecnologia do Movimento Inovação Digital (MID). Ele exemplifica que, após conseguir um acesso a uma área da empresa menos monitorada e relevante através de alguma brecha, o atacante tenta escalar o acesso, ou seja, conseguir entrar em um espaço mais privilegiado com dados mais sensíveis.

Guilherme
Guilherme Kato, dr. consulta

“Essa tática pode ser aprendida por algoritmos e ferramentas de IA, como a de Extended Detection and Responde (XDR) e Network Detection and Responde (NDR). O mesmo acontece com antivírus/EDR (Endpoint Detection and Response), que utilizam inteligência para identificar padrões de malwares nos computadores e servidores”.

IA generativa

Na opinião de Kato, essa abordagem inovadora tem se mostrado cada vez mais relevante na área da cibersegurança, com diversas soluções utilizando a IA generativa para identificar comportamentos maliciosos e detectar ataques cibernéticos. “Todos os processos que envolvem IA serão beneficiados, tanto por serem mais assertivos ou por ganharem uma amplitude maior. Grandes empresas provedoras de antivírus já anunciaram funcionalidades com a IA generativa para aumentar a detecção e a contenção de ciberataques”.

Kato acredita que, de agora em diante, a tecnologia será cada vez mais adotada nas soluções já existentes, potencializando ainda mais esses serviços. Além disso, é provável que surjam novos produtos disruptivos que utilizem a IA generativa como seu principal motor, impulsionando ainda mais a eficácia e a sofisticação das tecnologias de segurança cibernética.

“Acho que a maturidade virá com o tempo, porém esse tempo será curto. Acredito que a ferramenta é maior do que a nossa imaginação e criatividade. Então, vamos aprender muito como utilizá-la. Felizmente existem muitas empresas que estão implementando a IA generativa em seus produtos, o que vai ajudar na adoção”.

Desafios da IA

Apesar dos inúmeros benefícios oferecidos pela IA generativa na cibersegurança, há uma série de desafios a serem enfrentados, como a escassez de profissionais qualificados. Para driblar esse obstáculo, cabe às empresas contar com parceiros especializados. “Essa falta de especialistas, infelizmente, não é somente para a IA. O País – e o mundo – tem que aprender a lidar com esse gap”, opina o executivo.

De fato, a tecnologia está em constante evolução e os profissionais precisam adquirir habilidades específicas e know-how para lidar efetivamente com essa nova abordagem. “Acho que o conhecimento principal dos conceitos é como plugar as outras tecnologias nos algoritmos de AI generativa. A tecnologia sozinha não faz nada, é preciso conectá-la a outras ferramentas para tirar proveito. Então, é um misto de visão holística, criatividade e conhecimento técnico”, explica Kato.

É importante mencionar ainda que, assim como a IA generativa pode ser utilizada para aprimorar a segurança, os cibercriminosos também podem explorar essa tecnologia para conduzir ataques mais sofisticados. A Engenharia Social, por exemplo, pode ser potencializada pela IA, tornando os ataques mais eficazes ao identificar brechas e burlar sistemas de monitoramento. “Essa é uma questão que levanta a necessidade ou não da regulação da tecnologia”, opina o especialista.

Em suma, a Inteligência Artificial generativa tem transformado a segurança cibernética, oferecendo inúmeros benefícios, seja na detecção de ameaças ou na prevenção de ciberataques. Apesar dos desafios, o futuro dessa tecnologia é promissor e o seu sucesso depende do desenvolvimento contínuo dos skills dos profissionais e do compromisso das pessoas e empresas em usá-la com ética e responsabilidade, para ajudá-los a proteger seus dados e sistemas de forma cada vez mais eficiente.

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