CBO: revolução sustentável em alto mar

A sustentabilidade se tornou uma das principais metas dos setores que consomem grandes quantidades de combustíveis fósseis, como de construção, transportes e logística, tanto pela questão ambiental quanto pela econômica, e o setor de apoio offshore é um dos que estão liderando a transformação energética, pelo menos no Brasil. É o caso da CBO, Companhia Brasileira de Offshore

Com um projeto de hibridização do CBO Wiser, uma das 44 embarcações da empresa, a CBO ficou entre os finalistas do Prêmio Inovativos 2024, na categoria Operações e Gestão Portuária.


Segundo André Trintini, head de Inovação e Pesquisa e Desenvolvimento da CBO, historicamente, as embarcações do setor offshore operam com motores a diesel, consumindo mais combustível em baixas cargas. “Para garantir a segurança das operações, é comum utilizar motores adicionais como reserva técnica. No entanto, essa prática eleva o consumo de combustível, pois esses motores operam em baixa eficiência”, explica o executivo.

Além disso, em situações de picos transitórios de demanda energética, causados por condições climáticas ou pela missão industrial das embarcações, há um aumento no consumo de diesel, impactando negativamente os custos operacionais e as emissões de gás carbônico (CO2).

De acordo com ele, sistemas de baterias surgiram como uma solução para esses problemas. “Eles substituem a reserva técnica de motores à diesel por uma estratégia chamada spinning reserve, utilizando baterias para garantir a segurança da operação. Outro benefício obtido com esses sistemas é o fato das baterias absorvem picos de demanda, reduzindo o consumo de combustível e o desgaste dos motores. Essa inovação promove não só a sustentabilidade, mas também a eficiência e a competitividade operacional”, explica.



Inovação

A ideia de hibridizar o CBO Wiser nasceu como parte da estratégia da CBO de reduzir emissões e melhorar a eficiência energética da sua frota. O projeto foi baseado em estudos técnicos e referências globais de embarcações híbridas já em operação.

Entre as principais etapas do projeto, André destaca:

  1. Benchmarking de soluções híbridas em âmbito global;
  2. Discussões técnicas com fornecedores líderes;
  3. Prospecção de clientes interessados no projeto;
  4. Escolha da embarcação e simulação de consumo;
  5. Definição e dimensionamento do sistema;
  6. Treinamento da tripulação;
  7. Instalação do sistema de baterias no CBO Wiser;
  8. Testes de sistema e liberação para operação;
  9. Monitoramento contínuo da performance.

A instalação e os testes foram conduzidos com um foco rigoroso na segurança e na eficiência, garantindo que o sistema atendesse às necessidades do setor offshore.



Resultados imediatos 

Ainda segundo André, durante os primeiros meses do projeto, alguns passos foram necessários para que tudo saísse como planejado. Entre eles: Ajustar as estratégias de operação híbrida para maximizar a economia de combustível; Treinar a tripulação para operar o sistema de baterias com eficiência e segurança; Realizar ajustes contínuos em software e hardware; e Monitorar dados de telemetria para otimizar o desempenho do sistema híbrido.

“O amadurecimento da tecnologia está em andamento, com um ciclo contínuo de aprendizado e aprimoramento baseado nos dados operacionais coletados”, afirma.

De acordo com o executivo, a hibridização do CBO Wiser já apresenta resultados promissores:

  • Redução de 10% no consumo de combustível, trazendo significativa economia operacional;
  • Diminuição de 10% nas emissões de CO₂, além da redução de emissões associadas à manutenção;
  • Redução do número de horas de operação dos motores, prolongando sua vida útil e diminuindo custos de manutenção;
  • Otimização da gestão energética, permitindo maior flexibilidade operacional;
  • Diminuição nos custos operacionais, reforçando a competitividade da CBO.

Para ele, esses resultados destacam o impacto positivo da adoção de sistemas híbridos no setor offshore, alinhando-se às metas de sustentabilidade e eficiência.



Parceiros

A implementação do projeto contou com dois parceiros estratégicos:

  • Wärtsilä, responsável pelo fornecimento das baterias e do sistema de gerenciamento de energia;
  • Equinor, cliente estratégico que apoiou e incentivou o desenvolvimento do projeto.

Essas parcerias foram essenciais para garantir a eficiência, a viabilidade e o sucesso da inovação.



Futuro

O sistema de baterias é apenas o primeiro passo em uma jornada de inovação contínua, diz Trintini. “Está nos planos da CBO ampliar o uso de baterias em sua frota, integrar fontes alternativas, como etanol e fuel cells, por exemplo, para potencializar a eficiência energética, implementar conexões elétricas em terra para reduzir o uso de motores diesel no porto, e utilizar Inteligência Artificial (IA) para prever padrões de consumo e otimizar operações em tempo real”, detalha. 



Prêmio Inovativos

Para André Trintini, o reconhecimento no Prêmio Inovativos consolida a posição da empresa como líder em inovação no setor naval brasileiro. “Este prêmio valida o nosso compromisso com a transição energética e a sustentabilidade, além de fortalecer a credibilidade da tecnologia híbrida no setor offshore e estimular novas parcerias com fornecedores e clientes”, celebra o executivo, que finaliza, “A conquista deste prêmio reforça que investir em inovação é essencial para alcançar uma operação mais eficiente, sustentável e competitiva, pavimentando o futuro da CBO como referência no mercado”.