
O Brasil tem uma vasta e rica história e tradição literária em sua formação como país, , afinal, vivemos em um país onde diversos autores utilizaram sua arte para contar histórias sobre a nossa cultura, gastronomia, arte, e sobre nossas pessoas, desde Machado de Assis, até Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, e tantos outros.
Pensando em expor as raízes literárias brasileiras, ao relacionar as grandes obras nacionais à nossa realidade, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) criou o projeto ‘1ª Rota Literária do Brasil’, que com o uso de uma solução audioguiada e tradução para inglês e espanhol com uso de Inteligência Artificial (IA), conta a história dos locais mais relevantes para a literatura nacional, como o Real Gabinete Português de Leitura, a Biblioteca Nacional, e a Academia Brasileira de Letras, por exemplo. Com esse projeto, a Embratur foi uma das finalistas do Prêmio Inovativos, na categoria Turismo e Viagens.

Segundo Caio Iglesias, assessor de inovação e ESG da Embratur, uma das principais barreiras enfrentadas pelo turismo brasileiro é a escassez de produtos e experiências bem estruturados, capazes de atender às expectativas do turista internacional e valorizar nossos ricos ativos culturais. “Foi essa lacuna que deu origem ao case premiado”, afirma.
Inovação à serviço da cultura
De acordo com ele, antes da implementação desse projeto, com tecnologia inovadora para atrair e ao mesmo informar o público, o cenário no turismo nacional era marcado por uma desorganização generalizada, que dificultava o aproveitamento estratégico dos recursos culturais na promoção de experiências turísticas no país. “O que antes representava uma oportunidade desperdiçada foi transformado em uma proposta sólida e atrativa, capaz de reposicionar o Brasil como um destino de destaque no turismo internacional”, explica.
Ainda segundo Caio, a inovação do projeto nasceu a partir de um cuidadoso processo de pesquisa e coleta de referências, inspirado, em grande parte, por iniciativas internacionais de sucesso, como a rota turística que existe em Portugal dedicada às obras de José Saramago. “Para adaptar essa inspiração ao contexto brasileiro, utilizamos uma metodologia de inovação aberta, captando soluções e startups do mercado com potencial para enfrentar o desafio de estruturar produtos e experiências turísticas voltadas à valorização da nossa literatura”, detalha o assessor da Embratur.
Implementação e novas oportunidades
O processo de implementação foi conduzido com base em metodologias ágeis, permitindo acompanhar de perto o trabalho das startups, garantindo uma gestão eficiente e um planejamento dinâmico. “Após a implementação, realizamos uma análise abrangente dos resultados, coletando feedbacks qualitativos e quantitativos diretamente dos turistas, o que possibilitou avaliar tanto a experiência proporcionada quanto o impacto em termos de adesão e volume de uso das soluções”, relata Iglesias.
Para ele, a Embratur, como idealizadora e realizadora do projeto, desempenha um papel central ao abrir caminhos para novas conexões e colaborações estratégicas. “Esse fortalecimento de parcerias é fundamental para expandir o trabalho já iniciado, criando mais produtos e soluções baseados em nossos ricos ativos culturais. O objetivo é não apenas incrementar a oferta turística do Brasil, mas também elevar a qualidade da experiência oferecida ao turista internacional, consolidando nossa posição como um destino globalmente atrativo e competitivo”, afirma.
Parceiros que fazem a diferença
Os parceiros fundamentais na implementação da ideia, de acordo com Caio, foram a Prefeitura do Rio de Janeiro e os pontos turísticos integrados à rota — como o Real Gabinete Português de Leitura e a Academia Brasileira de Letras. “Com essas instituições, promovemos aproximações estratégicas para compreender a melhor forma de valorizar e trabalhar os espaços, conectando-os às narrativas culturais do projeto”, aponta.
Já no campo da inovação tecnológica, Iglesias diz que a Embratur contou com as startups Glocal AudioGuide e Que Mais Tem Lá? (QMTL). A Glocal AudioGuide estruturou a rota chamada Rio Literário, uma experiência abrangente que explorou a obra de autores icônicos como Machado de Assis, além de outros escritores de relevância histórica. A startup utilizou uma solução de tours audioguiados, disponível em vários idiomas — português, inglês, espanhol, entre outros —, com tradução potencializada por inteligência artificial, que permitiu ampliar significativamente o alcance do projeto e oferecer informações sobre nossa cultura e território para um público internacional diverso.
A QMTL, por sua vez, desenvolveu uma rota específica focada na vida e obra de Machado de Assis, aprofundando a experiência em torno desse grande nome da literatura brasileira. “Ambas as startups trouxeram tecnologias de ponta que foram integradas ao projeto, complementando o desenho do serviço, a jornada do turista e o planejamento estratégico. A tecnologia não apenas viabilizou as soluções, mas também ampliou sua escalabilidade, garantindo um impacto mais amplo e profundo na experiência dos turistas internacionais”, relata Caio.
Resultado e prêmio
Como resultado, em apenas um mês, mais de 300 turistas utilizaram a solução para explorar as rotas literárias pelo Rio de Janeiro. Desses, pelo menos 20% eram turistas estrangeiros, com destaque para visitantes da América Latina, como Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. “Os números evidenciam o potencial de atratividade do projeto não apenas para o público nacional, mas também para mercados internacionais, fortalecendo a imagem do Brasil como um destino culturalmente rico e inovador no turismo literário”, explica.
No que diz respeito aos aprimoramentos futuros, segundo Iglesias, o principal foco é garantir a perenidade e a sustentabilidade dessas soluções. Para isso, é essencial engajar diferentes atores do setor, como agências de turismo e guias locais, que podem se beneficiar enormemente deste novo formato. “Essas parcerias não só reforçam o impacto do projeto, como também ampliam sua escala e alcance. A colaboração com a Embratur desempenha um papel central nesse processo, abrindo portas para novas possibilidades de desenvolvimento e incentivando o fortalecimento do turismo cultural no Brasil”, celebra.
Para ele, o Prêmio Inovativos recebido pela Embratur representa um marco importante em uma das principais frentes estratégicas da agência nacional de turismo: a busca por visibilidade para projetos considerados verdadeiros carros-chefe da organização através de premiações.
“Este reconhecimento não apenas valida nossos esforços, mas também fortalece nossa posição no mercado ao destacar iniciativas inovadoras que estão sendo desenvolvidas com foco em impacto e relevância. Além do prestígio, o prêmio possibilita conexões valiosas com outras empresas e instituições, ampliando as oportunidades de colaboração e o alcance das nossas ações. Essa visibilidade é essencial para dar ainda mais impulso às iniciativas em curso, consolidando o papel da Embratur como protagonista na promoção do turismo internacional e na valorização dos ativos culturais brasileiros”, finaliza.
