O dia seguinte: como as startups de telemedicina surgiram a partir da pandemia

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O dia seguinte: como as startups de telemedicina surgiram a partir da pandemia

Startups de saúde digital lembraram como foi o processo de abrir o negócio praticamente no zero na pandemia. Elas estão sendo bem-sucedidas? Ainda em pandemia e empresa ainda buscando o break even

Era difícil imaginar que os consumidores estariam realizando quase todas as relações de consumo pela internet no início de 2020. Quem poderia imaginar, por exemplo, que as pessoas estariam comprando carros via WhatsApp? Ou quem diria que estaríamos adquirindo alimentos frescos por aplicativos e sem aquela velha – e, convenhamos, anti-higiênica – prática de apalpar os alimentos?

Esse mesmo ceticismo também se abateu entre os chamados inovadores na saúde. Não havia uma regulação sobre saúde digital ou sequer havia o interesse em massa do consumidor no assunto.

Então, veio a pandemia… Surgiu uma lei federal e as startups de saúde, dentre elas a telemedicina, praticamente “ligaram as máquinas” do dia para a noite. Mas será que elas estavam preparadas?

O assunto foi um dos temas do webinar organizado com apoio do Comitê de Healthtech e Welness da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), e também da plataforma INOVATIVOS e Grupo Innovation Xperience, que ocorreu no último dia 16. “Afinal, qual foi o maior desafio de subir uma plataforma de telemedicina sob o ponto de vista de regulação? Como é começar um novo negócio de ‘telemed’ em um ambiente ainda estável”, questionou Paula Mateus, mediadora do encontro e líder no Comitê Healthtech e Welness da Associação.

A live ainda contou com os convidados Renato Velloso, CEO do DR. Consulta, Carlos Pappini, CEO na Conecta Médico, Jamil Cade, CEO W3 Care e Pedro Marton Pereira, CEO na ePHealth Primary Care Solution.

 Prontas

 Um exemplo de empresa que praticamente emergiu “do zero” a partir da pandemia foi a Conecta Médico, plataforma de telemedicina gratuita.

Pappini lembra que a tecnologia estava pronta para ser lançada, mas ele preferiu aguardar uma regulação sobre o tema no Conselho Federal de Medicina (CFM). “Ela (regulação) vinha sendo discutida em 2019. Naquele ano batemos na trave. Continuamos aguardando a regulação e ela finalmente apareceu, mas surgiu a toque de caixa. Felizmente, como eu disse, estávamos prontos e foi praticamente plug and play para lançarmos no mercado”.

Tudo foi muito rápido para a Conecta Médico com a pandemia. Além de acelerar o lançamento, o próprio modelo de negócio andou a passos mais largos. Em pouco tempo, a companhia já havia firmado parcerias com diversas empresas do setor. Mais: o número de médicos cadastrados subiu rapidamente e de maneira quase que exclusivamente orgânica por meio da divulgação dos parceiros. Agora, a startup aguarda a regulação definitiva da telemedicina que vem sendo discutida pelo CFM.

“Estamos atentos ao debate da regulação. Por enquanto, nós temos um modelo de monetização baseado em mídia, pois isso torna o acesso efetivo ao médico na plataforma. É porque isso que, desde o princípio, entendemos que não poderíamos onerar o médico na pandemia. Acreditamos muito que a telemedicina seja uma das primeiras tecnologias ou inovações que está sendo implementada no setor. Ela tem potencialidade de reduzir custos”, afirma Pappini.

“Fizemos tudo em 72 horas”

Jamil Cade, da W3 Care, também se recorda do intenso corre-corre para lançar a plataforma e conectar o mais rápido possível médicos e pacientes. No entanto, surgiu na pandemia outro desafio: o mercado só queria saber de COVID-19 e não deu a devida importância no primeiro atendimento feito pela telemedicina.

“Isso, para nós, foi a maior barreira. Ninguém queria falar sobre atendimento de urgência e emergências. O assunto era apenas um: a Covid-19. Olha, parece brincadeira, mas fizemos a nossa plataforma funcionar em 72 horas. É claro que tínhamos toda a tecnologia, know how e time para fazer a plataforma do Tele Covid. Foi uma experiência super bem-sucedida”, explica.

Assim como aconteceu com a Conecta Médico, a W3 Care ganhou muitos adeptos, sejam eles médicos ou consumidores. O resultado foi um crescimento vertiginoso da plataforma e que em pouco tempo até mesmo a projeção internacional. “Nós, inclusive, vendemos o serviço para o México, que usou o nosso sistema para fazer o atendimento com os médicos de forma gratuita. Foram mais de 4 mil consultas”, afirma.

No fim, os clientes aprovaram a plataforma, principalmente porque agregou ao atendimento médico e que é bem peculiar ao mundo digital: a geração de relatório, o mapeamento de diversas informações em tempo real e tudo já em compliance com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Desfecho clínico

Já no Dr. Consulta, a telemedicina já não era algo estranho.

A empresa ganhou fama por praticamente ter “inventado” um modelo de negócio de oferta de saúde que fosse intermediário entre o SUS e o plano de saúde. Mas, nos últimos anos, a empresa procurou se reinventar de novo: a ideia era se transformar em uma healthtech e ocupar espaços entre os diferentes países da América Latina.

“O lançamento da nossa telemedicina ocorreu após nove dias corridos a partir da pandemia. Foi fácil, relativamente fácil. Nós já tínhamos algumas aplicações. Aliás, assim como as demais startups, nós também tentamos em 2019. No entanto, isso somente foi possível em 2020 com a abertura da lei” explicou Velloso, CEO da empresa.

Gestão na saúde

A pandemia também estimulou a adoção de outras ideias inovadoras na saúde, muitas delas baseadas no ambiente digital, com olhos para o consumidor e orientado a dados, o tal data driven. Nesse último quesito, um dos destaques é o trabalho desenvolvido pela ePHealth Primary Care Solution.

A plataforma, que tem o objetivo de otimizar o dia a dia dos profissionais da saúde e oferecer ao poder público uma solução assertiva na gestão de informações do mapeamento populacional, já está presente em diversas cidades.

Não à toa, Pedro Marton Pereira, CEO da empresa, virou um especialista em gestão pública na saúde a partir dessa visão privilegiada da companhia. Até por conta disso, ele não tem medo de responder a uma pergunta importante: Afinal, qual foi o problema na saúde pública pandemia?

“Quando todos os hospitais falaram: se todo mundo vier ao mesmo tempo, vai colapsar. O que podemos entender a partir disso: não se cuida de toda a população nos hospitais do País. Então, entramos no debate sobre a saúde primária. Veja: a saúde primária é a linha de frente. E qual foi o problema na pandemia? Essa linha de frente estava fraca, inclusive bem abaixo da média mundial. E o que devemos fazer? Precisamos entender o que está acontecendo com essa população, ou seja, atuar de maneira proativa. Não devemos atuar sempre de maneira reativa”, afirma.

 

Clique aqui e confira a primeira parte do artigo!

 

Veja o vídeo na íntegra:

 

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