MaaS, qual o caminho da Mobilidade como Serviço no Brasil?

Maas

Há uma diversidade de soluções mapeadas na rota brasileira de MaaS (Mobility as a Service, no inglês) que passam por transporte sob demanda flexível, venda de passagens e, literalmente, um mundo de possibilidades que incluem novas experiências na palma da mão do usuário, além de saídas vantajosas para operadores e planejadores de transporte em âmbitos público e privado.

 

Mas como ensina a Teoria da Semântica Geral, criada pelo matemático e filósofo Polonês Alfred Korzybski, que pode ser aplicada ao movimento nas cidades, “mapa não é território”. Há obstáculos que, só vistos mais de perto, podem ser conhecidos, retirados e usados para gerar insights que levem ao aperfeiçoamento das vias já percorridas e à exploração dos potenciais conjuntos de modais que ligam a Mobilidade como Serviço a um fluxo mais eficiente e satisfatório.

 

Para discutir como chegar até o lugar de melhores práticas adequadas à realidade brasileira, o painel Mobility as a Service: como estabelecer uma cultura de compartilhamento no deslocamento e a integração de dados e serviços para um conceito multimodal, contou com mediação do jornalista editor do portal Mobilize Marcos de Sousa e reuniu os debatedores especialistas e entusiastas do tema Elias de Souza, Líder de Government & Public Services Deloitte; Rafaelly Domingues, Bus Partnership Manager BlaBlaCar; Anna Beatriz Lima, Head of Public Policy Quicko e Douglas Tokuno, Head of Waze Carpool & Partnerships LATAM Waze.

 

Primeiros passos do ciclo de debate

 

Douglas .jpgO debate iniciou com Douglas Tokuno falando sobre a operação do serviço de caronas compartilhadas Waze Carpool (app de caronas do Google, que tem interação com o mundialmente conhecido app Waze), que opera no Brasil há 3 anos e pós-pandemia passou a oferecer a opção de caronas a qualquer momento ao iniciar uma viagem. Antes, o serviço atendia trajetos específicos, como o casa-trabalho, com marcação de horário. Em seguida, Rafaelly Domingues, de carona, dividiu o tema de compartilhamento trazendo a experiência da BlaBlaCar (pioneira no sistema de caronas no Brasil) associada à questão multimodal e diversificação de oferta (o app de caronas pode agora ser usado para comprar passagens de ônibus de 40 empresas para até 30 mil linhas no Brasil).

 

Anna Lima, com sua visão à frente da startup paulistana Quicko, dedicada à mobilidade urbana (com o feito de viabilizar aos usuários do transporte coletivo de São Paulo e Salvador o pagamento da tarifa via Pix) apontou o Norte para a busca de tangibilidade de políticas públicas, especialmente para a digitalização; campo fértil para o encerramento do ciclo de apresentação com a contribuição holística do Elias de Souza, sócio Deloitte (um dos mais ativos pensadores do tema mobilidade da atualidade) com realizações resultantes de atuações como interface em parcerias entre as áreas pública e privada com foco em infraestrutura.

 

Compartilhamento de expectativas

 

“Com o Waze Carpool buscamos oferecer a carona como opção de mobilidade urbana para melhorar essa relação que as pessoas têm no transporte com carro. Não inventamos a carona. Queremos trazer este modal de volta, assim como a gente já fazia (de forma mais restrita) na época de faculdade, entre amigos e familiares, para ir a algum evento ou festa, só que em conjunto com a tecnologia. A ideia é compartilhar os assentos, trazer melhor ambiente econômico e tornar esse modal escalável e seguro o suficiente para que seja realmente uma opção e transforme os carros individuais e privados em alternativa de transporte para três ou quatro pessoas ao mesmo tempo”, disse Tokuno.

 

RafaellyPara Domingues: “na mobilidade não tem vilão. É claro, existem problemas, se observarmos assentos vazios em carros ou ônibus, mas o mais importante é nos perguntarmos o que pode ser feito para aproximar as pessoas do que elas precisam. É tornar os modais mais eficientes e o carro é um deles. Devemos nos perguntar:  o que podemos fazer para que as pessoas possam fazer isso ou aquilo? Com a oferta de ônibus, os usuários BlaBlaCar que entram na plataforma em busca por caronas no sistema encontram agora outra opção: a modalidade de transporte rodoviário. Pós-pandemia, o canal de vendas digital se tornou a principal alternativa de compra para passageiros do transporte rodoviário”.

 

Interoperabilidade na “via” pública

 

Anna Beatriz.jpg“A proposta é que a Mobilidade como Serviço consiga trazer qualidade segurança e (principalmente) digitalização dos serviços de transporte público; promover uma política pública que consiga ser integrativa e universalizada e, ao mesmo tempo, utilize a tecnologia para promover o progresso e melhoria do transporte de integração e interoperabilidade. Como pioneira no mercado de mobilidade como serviço pensada para brasileiros, o foco da Quicko está na tangibilização das soluções de melhoria do transporte público de integração e interoperabilidade com os outros modais das cidades”, disse Lima, que citou cases do berço MaaS; a Finlândia (onde tem papel essencial na política nacional de transportes e na vida dos cidadãos). Na capital finlandesa, é possível pagar e planejar todos os modais de transporte (inclusive compartilhados) por meio de um app público e privado e até optar por um serviço de assinatura mensal de mobilidade.

 

Balanço para equilibrar e sustentar avanços

 

EliasElias de Souza uniu os pontos debatidos e concluiu: multimodal é tudo: carro, bicicleta, ônibus, metrô, andar a pé.  Tudo conectado, gerando desenvolvimento econômico, qualidade de vida de forma sustentável.  É importante ressaltar que São Paulo não é o Brasil; é uma das maiores cidades, a grande metrópole, mas não é a realidade da totalidade dos 5.570 municípios brasileiros.  Por isso a diversificação da oferta é tão importante.

 

E mesmo dentro da cidade de São Paulo há cenários bem diferentes, que incluem mais de 1705 favelas; somente 45% da população tem carro. Significa que a maior parte da população não tem carro, mas precisa se locomover e perde muitas horas de suas vidas em trânsito. Precisamos conectar mobilidade à qualidade de vida quando a gente falar de cidades inteligentes.Temos que agir como agentes transformadores que somos para provocar a mudança de mindset nos setores público e privado e na academia para co-criar a mobilidade que nos servirá”.

 

Maas: como chegar ao destino?

 

Marcos SouzaPartindo da ideia de que vivemos às voltas com os gargalos da mobilidade nas cidades, frente ao desafio constante de colocar a experiência humana no centro, o potencial do MaaS ilustrado no painel remete à afirmação do matemático (no início do texto) que entende a mente como capaz de perceber somente pequena parte do todo, dando sentido ao mundo de acordo com as experiências vivenciadas. Há um consenso de que é preciso um leque de modais que correspondam às realidades plurais e agreguem valor ao ir e vir de todos, fora do lugar de esgotamento, em espaços inclusivos para deslocamentos custo-efetivos (para governos, empresas e pessoas), sustentáveis e aprazíveis, como dois mais dois são quatro. “Maas”, qual o caminho certo? A certeza é que ele é “multi” e colaborativo.

 

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Dia 1

 

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