iXC: Marketing de influência e negócios digitais na era Creators: conexão real

Influencer

Nos dias atuais, viver em sociedade é quase sinônimo de estar conectado; seja à internet, às redes sociais, comunidades, aos grupos de afinidade e valores. Cabe às plataformas o papel de conectar pessoas. E às pessoas como fazer uso delas. Sabe-se que onde há muita gente, há oportunidade. Não à toa, as redes sociais tornaram-se uma grande vitrine e, cada vez mais, oferecem e aperfeiçoam recursos para compras por meio delas. As marcas reconhecem a importância de estarem presentes nas redes como fator determinante para melhores resultados nos negócios, mas enfrentam o desafio de competir pela atenção das pessoas em um meio onde cada usuário é também um produtor de conteúdo.

 

Após as mudanças de comportamento e profundas transformações pós-pandemia, muita coisa mudou ou foi ressignificada. O marketing digital segue mais vivo do que nunca, suas vozes precisam ser mais empáticas, ter propósito e causas. A humanização se faz ainda mais necessária para a influência, que pode ser positiva ou negativa. Para debater o que é essencial para marcas serem ou contratarem influência digital positiva e sustentável, o IX Conference reuniu Manu Carvalho, CEO Match & Co, Carol Paiffer, CEO da Atom S/A, o consultor de Marketing Lucas Amadeu e Ricardo Bellino, Fundador da Escola da Vida (School of Life) e acelerador de pessoas.

 

Influenciar é um marketing  fenomenal

 

A influenciadora Manu Carvalho, que é também jornalista, abriu o debate convidando os participantes a contarem sobre suas trajetórias de influência e compartilhou sobre seu próprio início despretensioso, em contato com os blogs, aos 19 anos, quando teve um insight.

 

Manu Carvalho“Comecei a perceber a abertura do WWW como uma oportunidade de as pessoas se comunicarem de forma massiva sem dependerem de estruturas de TV (como a da Globo). Foi aí que decidi testar e ter minha própria mídia. Em 2009, lancei o blog vitrine e minha ideia era trazer ao público, de um jeito mais engraçado, o que eu cobria em eventos de moda para os quais eu era convidada, muitas vezes, restritos a poucas pessoas (umas 30 ou 50)”.

 

O consultor de Marketing Lucas Amadeu, com mais de 13 anos de carreira em multinacionais (como Facebook, Vivo, Colgate e Latam Airlines), além de embaixador de marcas como o banco BTG Pactual, ressaltou: “se olharmos a trajetória de cada um, todos aqui reunidos saímos do padrão, normalmente, associado a influenciadores”.

 

Lucas AmadeuA reflexão que a gente precisa fazer é que todo mundo que tem um negócio, uma empresa, que faz acontecer, é um influenciador entre seus clientes, com a decisão de usar ou não esse poder; este peso de influência. Esta é a grande transformação do mercado atual, o termo influenciador é muito mais abrangente do que tudo isso a que ele é associado popularmente”

 

Carol Paiffer, à frente da maior empresa de traders da América Latina, além de concordar com a influência em decorrência da relevância de um trabalho com propósito e comprometimento, acrescentou ao painel o potencial da escala inerente ao meio digital: “realmente, no meu caso, a influência aconteceu em razão do meu trabalho. Estou no mercado financeiro há 16 anos. Comecei fazendo vídeos sobre bolsa de valores (até para otimizar meu tempo). Essa é a graça das redes sociais! Falamos com mais pessoas gastando menos energia, em relação ao meio presencial. Com os avanços, entendi que quanto mais presente nas redes sociais, melhor”

 

Carol Paiffer“Criei essa comunicação de forma que pudesse levar o melhor conteúdo ao meu público, que são pessoas interessadas em falar sobre dinheiro e quebrar a objeção que há no nosso País a respeito do recurso (dizendo que é sujo, por exemplo). É importante entender que todos somos influenciadores, seja dentro de casa ou do trabalho”

 

Para o empresário Ricardo Bellino, que fez prosperar no Brasil a maior agência de modelos do mundo (Elite Models) e chegou a se tornar sócio do ex-presidente dos EUA (Donald Trump): “a influência começou bem antes, empreendo de forma serial há mais de 30 anos.  Tenho boas histórias para contar de quem nasceu no mundo analógico. Na minha trajetória, me engajei no projeto de realizar o maior concurso de modelos no Brasil em uma época que não existia Internet e nem redes sociais; e eram centenas de milhares de inscrições. Depois, com a campanha do câncer de mama (da camiseta), vendemos 14 milhões sem e-commerce ou impulsionamento nas redes sociais. Há 13 anos me dedico a um projeto muito significativo que é a Escola da Vida (School of Life). Acredito que nós, verdadeiros influenciadores, temos que chamar a atenção para o fato de que há no mercado quem está mais para aliciador do que para influenciador; tentando vender para pessoas de boa fé um estilo de vida que nem sempre corresponde à realidade que praticam”.

 

Foco na mensagem: real e oficial  

 

A investidora do elenco Shark Tank Brasil Paiffer, afirmou: “tudo que fazemos ou postamos influencia pessoas. Isso pode ter um lado bom ou ruim. Um ponto que considero importante é tratado no livro do Simon Sinek – Comece pelo Porquê – como grandes líderes inspiram pessoas. Meu sonho de consumo era não ter Instagram. Estou no Instagram porque eu preciso dele para comunicar o propósito que eu tenho muito claro na minha cabeça. Quando se começa pelo porquê, tudo fica mais natural e a influência será mais leve e sincera. Quem se comunica para obter mais seguidores nas redes sociais, só por ego, não é sustentável. Em algum momento, vai perder a vontade de fazer isso. Cada vez mais empresas que me procuram buscam saber minha vida inteira para saber se eu realmente vou representá-las e isso é muito legal. Essa é minha lógica para contratar também; definir bem o objetivo e trazer a pessoa que conversa com o público sob valores que vivemos e compartilhamos”.

 

Ricardo Bellino“Acho que o influenciador deveria lembrar de ser, como cita o livro O Pequeno Príncipe, eternamente responsável por aqueles que cativa); utilizar as redes sociais com inteligência e responsabilidade para impulsionar iniciativas sérias, engajar as pessoas e  transformá-las para o bem ao torná-las mais felizes”

 

A afirmação de Belloni refere-se ao “boom” da utilização dos ditos “gatilhos mentais” para persuadir pessoas a comprar infoprodutos, por exemplo (às vezes, utilizados por pessoas que não vivenciam o que ofertam ou, que mesmo sendo especialistas com algo bom a oferecer, se valem de “copies” que buscam a conversão gerando medo ou ansiedade; sensação de  que estão ficando para trás ou não terão jamais nova oportunidade de ter algo semelhante). “Desculpe, mas o termo gatilho é péssimo, como qualquer outro que seja associado a roubar alguma coisa de alguém ou crie a sensação de que a pessoa tem que sair correndo”, concluiu Bellino.

 

Amadeu, comentou o alcance versus influência, mencionando que o mercado reconhece que há influenciadores com milhões de seguidores, mas que não influenciam decisões de compras de produtos por não terem autoridade suficiente sobre temas específicos. E para a audiência, a autenticidade anda de mãos dadas com autoridade. “A apresentadora rica que vende hidratante baratinho, como se fazia antigamente, hoje em dia não cola mais. São reflexões importantes na hora de contratar ou se portar como influenciador”, finaliza o consultor.

 

“A apresentadora rica que vende hidratante baratinho, como se fazia antigamente, hoje em dia não cola mais. São reflexões importantes na hora de contratar ou se portar como influenciador”

 

Manu esclareceu que nem sempre um criador de conteúdo é um influenciador e fez um paralelo que deve guiar os influenciadores para que não percam o foco na mensagem: “eu brinco que nas redes sociais o influenciador precisa se ver como se fosse uma televisão. Ele, provavelmente, ficou famoso por criar conteúdo relevante e passou a atrair marcas. Muitas vezes, o influenciador acaba vendendo mais do que criando e aquilo que tornou ele famoso na vida se perde. Seria como assistir um canal de TV que só tem comerciais. Então o primeiro passo na influência é você entender por que as pessoas seguem você e se perguntar por que eu sou tão relevante? O que elas esperam de mim? Devemos, como Carol falou, ter clara a motivação para nos tornarmos creators e passar a influenciar pessoas, mas também nos questionarmos sobre o porquê da audiência nos ver como relevantes”.

 

Cancelados: falta de profissionalismo, arrogância e fake News

 

Houve um consenso sobre a necessidade de empresas, marcas e pessoas se mostrarem de forma autêntica para construir engajamento no processo de construção de autoridade. Ao mesmo tempo que o mundo digital torna possível a “criação” de uma aparente situação, a transparência que o meio tem não permite a sustentação de mentiras permanentemente e podem revelar, mais cedo ou mais tarde, atitudes inconsistentes que colocam em xeque a imagem reputacional e impactam diretamente os resultados financeiros (basta verificar os desdobramentos e prejuízos ocasionados pelos atuais e cada dia mais frequentes “cancelamentos” de pessoas e marcas nas redes sociais). A profissionalização dos creators é mais do que bem-vinda, tanto no tratamento para com a audiência, quanto para as dinâmicas entre parceiros, sob risco do mercado engolir o propósito de influenciar e deixar o engajamento a ver navios.

 

Assista ao debate na íntegra abaixo:

Se preferir, escute o Spotify Podcast aqui

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no print
Compartilhar no email

Compartilhar