iXC: Bolsa de Valores como fator de desenvolvimento do negócio

Innovation Xperience 3

Em meio a um cenário econômico instável, a B3, bolsa de valores brasileira, tem batido recordes positivos. Em 2020, 28 IPOs totalizaram uma captação de aproximadamente R$ 117 bilhões. Neste ano, foram 45 já foram realizados e a expectativa segue em tom de otimismo. As empresas de tecnologia são as preferidas dos investidores, evidenciando a força do setor no mercado de capitais brasileiro, que tende a crescer ainda mais daqui para frente. Durante a 3ª edição da Innovation Xperience Conference, especialistas se reuniram para debater sobre as oportunidades de captação de investimentos e as vantagens de fazer um IPO.

 

“A gente viu nos últimos tempos, diversos fundos de investimentos aplicando recursos em empresas inovadoras, que usam a tecnologia para transformar e resolver problemas do nosso dia a dia que até então não eram solucionados”, refletiu Vitor Magnani, presidente da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O) e do CEDI da FecomercioSP. Para Rafaela Vesterman Araújo, relationship manager da B3, alguns fatores têm favorecido o cenário atual, como a redução da taxa de juros. Além deste, é relevante o número de pessoas físicas que adentraram o mercado. Em 2019, era um milhão; agora já são mais de quatro milhões. “Temos visto um maior protagonismo do investidor local, de pessoas que querem diversificar o portfólio, olhar os modelos de negócios mais inovadores e entender onde investir”, explica Rafaela.

 

Innovation Xperience 3
Vitor Magnani

 

“A gente viu nos últimos tempos, diversos fundos de investimentos aplicando recursos em empresas inovadoras, que usam a tecnologia para transformar e resolver problemas do nosso dia a dia que até então não eram solucionados” (Vitor Magnani)

 

 

 

É compreensível que muitas empresas interessadas em abrir capital não saibam exatamente se devem o fazer no mercado brasileiro ou norte-americano. A Nasdaq ainda permeia o imaginário de gestores de grandes companhias tecnológicas, que sempre sonharam em realizar um IPO na bolsa americana. No entanto, é preciso entender as estratégias de cada organização antes de optar por qual caminho seguir. “Talvez faça mais sentido buscar o mercado internacional se a empresa tem um projeto de internacionalização”, sugere Rafaela, mas abrir capital no seu país de origem pode gerar benefícios diversos.

 

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Rafaela Vesterman Araújo

“Temos visto um maior protagonismo do investidor local, de pessoas que querem diversificar o porftólio, olhar os modelos de negócios mais inovadores e entender onde pode investir” (Rafaela Araújo)

 

“Aqui no Brasil, você permite que o seu cliente se torne acionista, além de ter mais acesso aos investidores”, analisa Rafaela. A especialista explica que ainda há questões intangíveis a serem consideradas, como o investidor conhecer mais sobre a história da companhia e da importância dela, o que gera uma certa proximidade com a marca. “Já o mercado americano tem muita liquidez, é bastante desenvolvido, mas tem muitas companhias listadas. É preciso ponderar se a sua será apenas mais uma”. No entanto, Rafaela reforçou que, desde o final do ano passado, é possível fazer uma dupla listagem, o que pode fazer sentido para companhias que querem captar recursos lá fora e negociar ações localmente. 

 

Preparar, apontar, fogo

 

Para quem está interessado em fazer um IPO, saiba que governança e preparação já são meio caminho andado. Quanto antes conseguir se organizar, melhor. “É natural que algumas empresas estejam precisando rapidamente de um recurso e queiram aproveitar aquela janela de mercado para fazer um movimento mais rápido. Mas se tiver um tempo para conseguir arrumar tudo, melhor ainda”, frisa Rafaela. Na opinião da especialista, muitas empresas com crescimento acelerado acabam não focando tanto nas questões internas, mas chega um momento em que isso é deve ser feito. 

 

“Quando uma companhia é fechada, há, por exemplo, dez acionistas. Ao virar a chave, passa a ter 40 mil. Então é preciso olhar muito para a questão de disclosure, de transparência, ter balanços auditados, dados financeiros atualizados, entre outros pontos”. Rafaela diz que este preparo também é fundamental para quando uma empresa se torna de capital aberto, já que será preciso ajustar o pitch para o mercado. “IPO não é o fim, mas só o começo. É muito importante não só se preparar para antes do IPO em si, mas para o que muda quando uma companhia o faz para aproveitar todos os benefícios que de fato existem”.

 

IPO na prática

 

No início do ano, o GetNinjas fez um IPO e captou aproximadamente R$ 555 milhões na B3, “um processo emocionante”, segundo o próprio Eduardo L´Hotellier, fundador e CEO da plataforma de serviços diversos, atualmente presente em mais 4 mil cidades e que reúne mais de 2 milhões de profissionais. O executivo concorda que o mercado de capitais brasileiro evoluiu muito nos últimos anos e houve uma demanda crescente por empresas de tecnologia. “Quando os investidores locais olhavam a bolsa americana, as companhias de tech sempre eram as que mais davam retorno, e isso acabou influenciando as decisões de investidores locais”, opina.

 

O fato do GetNinjas já ter tido outras formas de investimento ajudou a empresa a seguir o caminho do IPO. A questão da governança e outras práticas mais formais já eram aplicadas, mas com a abertura de capitais, chegaram novas exigências. Eduardo descreve que a empresa sai de um cenário em que você conhece nome e sobrenome da base acionária para uma significativamente maior. Em função disso, foram contratados talentos experientes que já passaram por esse processo em outras ocasiões. “Com a ajuda das contratações, dos bancos, da B3, dos investidores, fomos aprendendo e encaixando os pedacinhos que faltavam para montar esse quebra-cabeça. As regras existem para gerar mais segurança para o acionista e controle para a companhia”, disse.

 

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Eduardo L´Hotellier

“Agora temos capital para contratar talentos, expandir nosso investimento em marketing, crescer e tirar projetos que estavam parados no papel por falta de recursos para executar. São elementos que ajudam a empresa a ser mais perene. Estamos construindo um negócio que vai continuar contribuindo com todos”.

 

 

 

Confira o painel na íntegra ou escute aqui o podcast completo.

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