iXC: A corrente migratória do negócio físico para o digital na pandemia

Innovation Xperience 3

Antes da pandemia, a maioria das empresas de grande porte dizia que estava, no mínimo, em um processo acelerado de digitalização do negócio. Infelizmente, a mesma afirmação não é verdadeira para os pequenos e médios empreendedores. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), pouco mais de 700 mil negócios foram fechados durante o distanciamento social – a maioria deles só sabia fazer negócios de maneira presencial.

 

Quem resistiu a pandemia, migrou às pressas para o mundo digital e minimizou os prejuízos. Muita empresa, sem margem para grandes investimentos, simplesmente improvisou: produtos eram exibidos nas redes sociais e todo o relacionamento era feito via WhatsApp.

 

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Laura Barros

“Todos fomos transformados, porém o erro é acreditar que o digital necessariamente precisa ser complicado, com chatbot ou banco de dados em nuvem. “Ser digital também é expor um produto em uma ‘vitrine’ no Whatsapp ou no Instagram. Pode ser ainda fazer uma ‘vendinha’ no WhatsApp. É preciso gente, vontade e foco no consumidor”, explica Laura Barros, diretora de Marketing Wine.

 

Crescimento de mais 200%

 

Um estudo feito pela Mastercard revela justamente essa adesão digital citada por Laura. Divulgado no mês passado, o levantamento mostra que o número de pequenas e médias empresas que fizeram essa migração para o online em 2020 cresceu 208% no Brasil, em comparação com o ano de 2019. Muitos desses empreendedores foram buscar oportunidades nos marketplaces, tais como Mercado Livre e outros.

 

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Fabio Barcellos

Segundo Fabio Barcellos, Co-founder e CEO da Mobees, startup especializada em publicidades em taxis e carros por aplicativos, o uso em larga escala de tecnologias na oferta, comércio e pós-venda de produtos e serviços foi importante para revelar gargalos importantes de setores tradicionais da economia. Uma delas é que companhias não posicionavam o cliente no centro do negócio.

 

“A tecnologia precisa ser usada para eliminar várias ineficiências dos setores tradicionais. O consumidor quer praticidade, agilidade, comprar aquilo que está procurando. O mundo digital criou senso de urgência e deixou claro que os tempos são outros. Tudo é mais instantâneo. As tecnologias precisam ser empregadas para viabilizar experiências cada vez melhores para os consumidores”, explica.

 

Desbravando novos dados

 

Outro setor tradicional que precisou se reinventar para o mundo digital durante a pandemia foi a educação. Alunos das redes pública e privada migraram para as plataformas de videoconferência e, de alguma forma, conseguiram seguir adiante com o plano de educação.

 

No entanto, assim como muitos setores da economia, tudo isso foi feito na base do improviso. Até pela baixa adesão digital, existem poucos ou nenhum indicador digital para o negócio da educação. Isso mudou com a pandemia.

 

Essa foi um dos desafios de Erick Moutinho, founder da Eskolare, uma plataforma voltada para fornecedores que atuam na educação. Estamos cavando dados na educação por vários motivos. É difícil encontrar dados públicos, exceto aqueles do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Mas já avançamos.

 

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Erick Moutinho

“Começamos a extrair de alguns detalhes do comportamento de compra das famílias dentro do setor de educação. Hoje, em algumas escolas, sabemos que existem famílias que costumam pagar à vista por algumas soluções educacionais à vista. Quando eu renegociar uma matrícula ou mensalidade, eu dou um desconto maior à vista para estimular o pagamento em uma única vez. Mas já temos outros dados”, afirma.

 

Na Mobees, o desafio foi extrair dados digitais dentro de um negócio com aparência de mais antiga: a mídia externa, mais especificamente inserida em táxis e carros de aplicativos. O negócio não é novo, porém, nos últimos anos, foi reinventado a partir da digitalização do negócio.

 

“Os dados que usamos são primários, ou seja, aquelas que impactam a mídia da Mobees nas ruas. Em um primeiro momento, capturamos sinais de celulares de pessoas próximas as nossas telas. Esse monitoramento ocorre cada vez que a nossa mídia é apresentada. Então, toda a vez que a apresentamos uma mídia, guardamos o timestamp (marca temporal) dela, além da latitude e a longitude da tela. Por fim, contamos quantos sinais de wi-fi de celulares estavam próximos a tela e daí aplicamos alguns filtros, dentre eles a pessoa deve estar a 30 metros de distância. E daí temos quem visualizou”, explica Fabio.

 

Na Wine, o caminho foi quase o inverso. Nativa digital, a empresa passou a oferecer os mesmos produtos em lojas físicas, porém sem deixar de lado todo o aprendizado digital. Dentro das lojas, segundo Laura, os produtos possuem QR Codes onde o consumidor aproxima o celular, escolhe a bebida e segue para o caixa sem tocar no produto. Ele paga pela mercadoria e retire tudo na saída da loja.

 

“É sem fricção. Você ainda pode acessar o estoque de uma loja a um raio de distância de 3km da loja. Se comprar o produto, o cliente receberá em até 3 horas. Existem outros processos. Ou seja, usamos tudo o que a gente já tinha no aplicativo: uma interface que o consumidor entende e que foi aplicado no processo da loja”, explica Laura.

 

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Kelly Carvalho

 

“Esse é um mundo onde ainda estamos construindo jornadas e métrica. Tudo está sendo transformado, inclusive a gente”, Kelly Carvalho, economista e assessora técnica do Conselho de Economia Digital FecomercioSP.

Assista ao painel na íntegra abaixo ou escute o podcast completo aqui.

 

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