Do Oiapoque ao Chuí: a interiorização dos apps de mobilidade e delivery nas plataformas “alugadas”

O Brasil abriga mais de 800 aplicativos de mobilidade e entrega que atuam no Interior do Brasil. Esse crescimento está associado as chamadas plataformas white labels

Hoje em dia, é difícil imaginar uma realidade sem aplicativos de mobilidade no Brasil. No entanto, houve uma época em que empresas como Uber e 99 ainda eram novidades, e as opções de transporte se limitavam ao transporte público ou aos táxis, que eram solicitados por meio de chamadas telefônicas para cooperativas.

A chegada desses novos aplicativos mudou completamente o setor, oferecendo pedidos mais rápidos e taxas mais baixas para os motoristas. Isso fez com que as cooperativas de táxis perdessem motoristas e despertou o desejo dos próprios taxistas de terem seu próprio aplicativo. Foi nesse contexto, em 2015, que surgiu a primeira plataforma white label brasileira com foco em mobilidade e entrega, chamada Machine, desenvolvida pela Gaudium.

“Naquela época, quando a Easy Táxi entrou no mercado para atender os taxistas, criamos os aplicativos para as cooperativas de táxis, a Taxi Machine, e elas organizaram suas operações de acordo com suas preferências”, relata Ricardo Góes, sócio-executivo da Gaudium. Desde o início, a Taxi Machine foi concebida como uma plataforma white label, o que permitiu à empresa expandir seu mercado e alcançar os motoristas de mototáxi.

Plataforma white label: um negócio em ascensão

Uma plataforma white label é uma solução tecnológica pronta e personalizável que permite que empresas e empreendedores criem suas próprias marcas e ofereçam serviços digitais sob sua própria identidade. Ou seja, é como se fosse um aplicativo genérico, que pode ser adaptado às necessidades e preferências de cada cliente.

As opções de mobilidade e entregas têm se tornado um mercado em expansão em todo o mundo. Na Alemanha, existem dois exemplos: a Wunder Mobility, que atua em mais de 100 cidades, oferecendo serviços de transporte por carros à combustão e elétricos, além de bicicletas, patinetes elétricos e outros modais; e a MotionTools, que também atua em mais de 100 cidades, incluindo pequenos varejistas como clientes, oferecendo serviços de entrega exclusivamente para eles. Há exemplos semelhantes também em Luxemburgo e Holanda.

A Gaudium, por meio da plataforma Machine, seria pioneira no Brasil nesse segmento e, segundo Góes, possivelmente a primeira na América do Sul.

Além dos aplicativos para passageiros e motoristas, a empresa oferece aos clientes um painel administrativo e um painel para as empresas que contratam o serviço. Além disso, eles compartilham sua expertise e fornecem orientações sobre as melhores práticas a serem adotadas em cada cidade ou região por meio da área de customer success.

Embora os grandes aplicativos de mobilidade e entrega não atendam a todas as cidades, as plataformas white label têm preenchido essa lacuna. No caso da Uber, por exemplo, ela atua em apenas 600 cidades, o que representa cerca de 10% do total de cidades brasileiras. A cidade mais populosa que não possui o serviço da Uber é Santarém (PA), município com mais de 300 mil habitantes. Segundo levantamento da própria empresa, a maioria das cidades que não contam com o aplicativo está em Minas Gerais, seguido da Bahia e Rio Grande do Sul. A Machine, por outro lado, está presente em 1.527 cidades espalhadas por todo o Brasil, incluindo 1.250 municípios com menos de 100 mil habitantes.

Nesses municípios existem 158 empresas de entregas e 625 de mobilidade. Ou seja, são 800 empresas de mobilidade e entrega atuando na plataforma da Machine e que, juntas, atendem ou atenderam mais de 20 milhões de pessoas. 

Existem 625 Apps de mobilidade em cidades com menos de 100 mil habitantes em apenas uma plataforma white label

Franquias

O mercado de mobilidade e entrega regionalizada tem atraído cada vez mais empreendedores que buscam investir em franquias de aplicativos de transporte para atender as demandas de cidades específicas. Duas plataformas que se destacam nesse segmento são a UbizCar e a Chofer 46, ambas clientes da Machine, que oferecem aos franqueados a oportunidade de ter o seu próprio app de mobilidade urbana na cidade de sua escolha, com suporte tecnológico, administrativo e de marketing.

A UbizCar, fundada em 2017, tem um investimento inicial a partir de R$ 50 mil e já está presente em mais de 20 cidades em cinco estados brasileiros, com mais de 300 mil usuários ativos e mais de 2,8 milhões de corridas realizadas. A empresa se destaca por ter carros identificados, motoristas uniformizados e treinados, balinhas personalizadas e preços acessíveis. A Chofer 46, por sua vez, foi fundada em 2019 por um grupo de motoristas que buscavam melhorar as condições de trabalho na região de Francisco Beltrão, no Paraná. Hoje, a empresa possui mais de 550 motoristas ativos e está presente em mais de 25 cidades brasileiras. A empresa se diferencia por cobrar uma taxa fixa dos motoristas, facilitar o contato direto entre motoristas e clientes, oferecer serviços direcionados a pessoas com necessidades especiais e ter um modelo de franquia acessível.

Enquanto isso, empresas como Uber e 99 não parecem estar interessadas nesse movimento – pelo menos não por enquanto.

São 158 aplicativos de entrega no País em apenas uma única plataforma white label

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